CRIANÇAS SÃO ALVO DE SEQUESTROS NO RIO DE JANEIRO?

'Esses fatos não são verídicos', diz delegada sobre sequestros em Caxias

Titular da 59ª DP (Caxias), Juliana Amorim negou a existência de registro dos crimes


Rio - A delegada titular da 59ª DP (Duque de Caxias), Juliana Amorim, negou a existência de casos de sequestros de crianças em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo Amorim e o delegado da 60ª DP (Campos Elísios), José de Moraes Ferreira, as denúncias não passam de boatos reproduzidos nas mídias sociais. 
"É de suma importância falar sobre isso, porque a sociedade está apavorada. Há zero registro de desaparecimento de crianças e zero de morte violenta de criança. Esses fatos não são verídicos e várias medidas estão sendo tomadas. As pessoas que divulgam estas denúncias falsas estão sendo conduzidas à delegacia", declarou a delegada, lembrando que as polícias civil e militar estão trabalhando de forma integrada em cima do caso. 

Uma falsa denúncia de sequestros de crianças divulgada nas redes sociais fez com que fotógrafos profissionais de uma cooperativa passassem a sofrer ameaças. A Polícia Civil gravou um vídeo ontem para alertar a população sobre a falsidade dos boatos. Cuidado com o que você compartilha na web.ENTENDA: http://bit.ly/1Q78Hlh
Posted by Jornal O Dia on Sexta, 1 de maio de 2015
A falsa denúncia divulgada nas redes sociais fez com que fotógrafos profissionais de uma cooperativa passassem a sofrer ameaças. Uma delas, Márcia Daiane Luis Santos, de 25 anos, registrou o caso em uma delegacia.
Segundo a profissional, que faz trabalhos com crianças, uma mulher, identificada apenas como Jaqueline e que seria esposa de um policial militar, fez a publicação onde acusava falsamente os fotógrafos de sequestrar crianças. No texto, Jaqueline dizia, a respeito de uma imagem da fotógrafa: “Esta mulher abordou a esposa de um companheiro e tirou fotos de crianças. Vamos divulgar.”
Fotógrafos são vítimas de 'rede' de boatos na internet
Segundo Márcia, não demorou para a mensagem se proliferar e ela receber ameaças. Além dela, outros profissionais da cooperativa que emprega 70 fotógrafos, também foram intimidados.
“A mulher divulgou o nome da nossa empresa e outros funcionários estão sofrendo represálias, sendo ameaçados. Estamos desestabilizados. Tem cliente que comprou a foto ligou para o vendedor não entregar o produto porque está com medo”, relatou Felipe Campos, 26 anos, funcionário da empresa.
Moradora de Vigário Geral, Márcia teve que mudar sua rotina após as ameaças começarem. “Não consigo sair de casa e estou com muito medo pela minha filha de 2 anos. Não consigo dormir e vou passar esta noite em claro”, afirmou. “Não costumo passar Whatsapp. Mas ela me recebeu muito bem e abri uma exceção”, disse a fotógrafa, referindo-se à acusada
Procurada pelo DIA , a autora das denúncias não atendeu as ligações. A 34ª DP (Bangu) desmentiu a existência de sequestros de crianças na região. O caso vem à tona ao mesmo tempo que um boato sobre um casal que estaria sequestrando crianças para a retirada de órgãos se espalhou desde o início da semana em Duque de Caxias. Porém, a assessoria de imprensa da Polícia Civil afirmou que também não há registro de sequestro na região.
Ano passado, uma mulher foi linchada e morreu em Guarujá (SP) após sua imagem ter sido divulgada nas redes sociais como uma suposta autora de rituais com crianças.